ALMA INTERIORANA



ALMA INTERIORANA

A minha alma é mesmo interiorana.
O meu paladar é roceiro. Meu sentimento é brejeiro.
E quando as chuvas chegam aos meados de novembro, as lembranças fluem e a saudade aperta. Do velho fogão caipira, escurecido de fuligem, e que arde embaixo da sua chapa, lascas de angico. O café no bule, a broa sobre a mesa. O pulguento companheiro se esbaldando em sono sobre as cinzas de um borralho velho, enquanto o “bichano” ronrona sobre a cama de treliça de patí e colchão de palha de milho; uma galinha rodeada de pintinhos, recolhida em um cantinho do rancho, cocoreja de mansinho, como entoando uma canção de ninar; porcos no chiqueiro em alvoroço solícitos pelo frio tempestivo e pela fome atroz; uma rede de varanda esticada no meio do vão central da sala, um cobertor “seca-poço”, um bicho-de-pé, bom de coçar nos punhos da rede. A chuva mansa caindo sobre a palha de buriti do barraco, rolando e caindo em profusão em cima de uma lata de doce de goiabada, fazendo um tilintar sonoro em conta gotas...
A manhã se transforma em um embalo fugaz de paz, natureza e cheiro de amor.

Só quem já vivenciou tudo isso sabe que é bom por demais.

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